O primeiro viagra a gente nunca esquece!

Minha performance sexual tinha caído muito. Nem tanto pela idade, mas pelas dificuldades de relacionamento matrimonial somado a inúmeros problemas pelos quais eu passava. Na semana passada, resolvi comprar o tal do Viagra. Mas que vergonha de ir comprar o medicamento. Reconhecer publicamente que tava brochando. Vergonha…. Desgraça! Mas eu queria experimentar. Mas ninguém poderia saber.Ninguém. Mas como fazer com o farmacêutico? Alguém iria saber. No mínimo uma pessoa. No mínimo, não. Uma só pessoa. O farmacêutico. Afinal eu não fabrico o fármaco. Onde ir comprar? Será que em outra cidade, onde ninguém me conhecesse? Isso seria o ideal. Mas eu estava sem nenhuma viagem agendada. Teria que ser na minha cidade. Mas claro que numa farmácia em bairro que absolutamente ninguém me conhecesse. Por alguns dias fiquei imaginando uma farmácia “ideal”. Foi difícil imaginar. Enfim, descolei uma. Por sinal, Farmácia Ideal!
Restava agora escolher o perfil do vendedor.
Uma vendedora seria melhor. Não. Nem pensar. Eu não iria entregar os pontos confirmando que tava em baixa. Não. Um homem, então. Dedução lógica. Mas reconhecer pra um concorrente que eu tinha abdicado das funções? Desgraça.
As duas opções eram ruins. Parecia que o atendimento pelo homem era menos traumático. Se tivesse um vendedor de uns 70 anos seria o ideal. Ele já conhecia o problema. Se ele fosse discreto, melhor ainda.
Seria como ir comprar um medicamento pra alergia e chegar lá o vendedor ser alérgico. O cara conhece tudo.
Já pensou comprar de um garotão:
-Tá aqui o levanta morto, tio.
Não!!!
Mas onde achar o bom velhinho vendedor de Viagra?
Escolhida a farmácia, cheguei lá, durante a manhã, quando teria menos movimento.
Que nada!… Várias pessoas na farmácia. Será que entro?
Entrei.
Veio uma gatona me atender.
-Pois não?… me disse.
-Estou vendo uns sabonetes, respondi.
E fiquei circulando na farmácia, envergonhado, cabeça baixa procurando o bom velhinho. E cadê o homem? Não existia!
Continuei circulando. Uma outra senhora balconista. Não. Não servia. Mulher não.
Um garotão terminava uma venda. Também não. Tinha um cara de uns quarenta anos. Parecia o indicado. Fui até ele. Quando eu chegava ao balcão, chega uma senhora de uns quarenta anos e me diz a queima roupa:
-Pois não, senhor?
Pô, a palavra “senhor” já pressupunha que sou velho. Diabo. E agora?…Pedia ou não?
Comecei pedindo um AAS adulto, que sempre preciso em casa. Ela trouxe o AAS. Bem discreta. ! E agora?…Pedia… ou não?
Pedi um Pepsamar, que uso sempre. Ela trouxe o Pepsamar. Discretamente.
Puta merda. Pedia ou não?
Me encorajei, enchi o pulmão de ar e com uma voz sussurrada, como que vindo do fundo de um túmulo, sussurrei:
-Ah….e um Viagra. O Ah era pra dar idéia que tinha me lembrado naquele momento. Que original. Senti que vermelhei.
A balconista me olhou. Levantou a sobrancelha. Só a esquerda. Esquerda de quem olha.
Me olhou como quem diz…. –Brochando, velho?
Eu não sabia se olhava pra ela ou pro chão.
Os minutos não passavam. Digo, os segundos não passavam!
E a balconista me olhando como que a dizer:
-Velho safado, ainda quer f****, é?!
Que aflição!… Mas a sorte já estava lançada.
Não é que nesse momento , olho ao lado e vejo um amigo meu, médico, acompanhado da… esposa??? Gente conservadora. Evangélicos. Me abraçaram efusivamente. Me pegaram com a boca na botija. Maior flagra! Eu tava f******!!!
-Tá doente? Me disse o médico.
-Não, só umas aspirinas, respondi.
Eu suava inteiro.
E eles não saiam dali. Que merda. Atrapalhando a compra do meu Viagra. Que desgraça! Se o tempo voltasse, eu não entraria naquela farmácia. Nunca mais!!!
E a balconista nos olhando com aquela cara de vitoriosa. Diaba!!!
E um outro balconista ao lado, olhando como se soubesse de tudo e também como se não soubesse de nada. Eu já nem sabia o que cada um sabia.
Nisso, a balconista berrou pro outro balconista:
-Já chegou o Viagra? Ontem não tinha! Acho que a farmácia inteira escutou. Eu queria chorar. De raiva.
Uma semana depois ainda ressoa na minha cabeça a frase: “Já chegou o Viagra? Já chegou o Viagra?”
O balconista me olha e diz.
-Temos um similar, que é como se fosse um Viagra Turbo.
Viagra turbo. P*** merda!!!
A mulher do meu amigo, que tava na farmácia, ficou vermelha.
Também, acho que faz alguns anos que não transam… Empurrou meu amigo e me disseram:
-Até já!!!
A coisa não podia estar pior.
Daí o segundo vendedor me diz, bem alto: -Nunca usou esse similar do Viagra? É o bicho! Um pouco mais caro, mas o efeito é de 36 horas!
Como se eu fosse um garoto de programa, que precisasse de desempenho total.
Eu achei que fosse desmaiar de tanto mal estar.
Deixe quieto, eu falei.
-Não, não, disse a vendedora…
E gritou pra um vendedor do final do balcão:
-Tem Viagra ou não, Jair???
-Pra quem que é o Viagra?, diz o Jair… Será que tinham que pronunciar a palavra Viagra sempre?
-Pra esse senhor aqui, Jair! diz a diaba. E aponta com a cabeça em minha direção. E que outra direção poderia ser?
-O senhor chegue aqui! diz o Jair.
E a mulher do meu amigo médico, ali por perto, como se não tivesse escutando nada, mas acompanhando tudo. Aquela cadela. Azar é pra quem tem.
Acredito que ela ali da farmácia, via celular, já fazia a notícia circular no bairro: o Dico não f*** mais!
Fui até o Jair, como o maior pecador chegando até São Pedro, o que faz os julgamentos na entrada do céu. O Jair lazarento me olhou como quem diz….
-Muito bem, seu broxa!…
O senhor quer embalagem com quantos?
-Com quantos tiver…….sussurrei, meio gaguejando. Eu queria é ir embora. Que o chão se abrisse. Nem que eu não f***** nunca mais.
Se eu tivesse imaginado o pior, não seria tão ruim quanto foi.
Peguei o Viagra com o Jair lazarento e voltei até a diaba.
-Que bom que tinha… diz a diaba. Como se eu fosse transar com ela. Aquela bruxa. Eu ia precisar da cartela inteira com ela. Aliás nem com a cartela inteira.
Peguei a nota e saí em direção ao caixa.
E o médico meu amigo, grita:
-Até mais, Dico.
A mulher dele não levantou a cabeça, continuou olhando uns sabonetes. Mas, pensando no Viagra. Aquela velha! Que tragédia!
Mas, o medicamento foi o bicho! Sem dúvida.
Uma semana depois vi que eu tinha feito uma besteira. Eu tinha que ter comprado várias cartelas. Agora eu tinha que recomeçar tudo!!!
E por onde? Voltar lá com a diaba e com o Jair lazarento? Nunca!
Mas por outro lado, eles já me conheciam. Seria como que um segredo profissional. Melhor do que ir em outra farmácia e a notícia se alastrar.
É, tive que começar tudo de novo!
Hoje pela manhã, voltei na farmácia do Jair lazarento e da Diaba, a Farmácia Ideal. Ideal o cacete.
Puto da vida.
Não é que quando chego lá no balcão dos fundos, vem aquela p*** da esposa do meu amigo médico (tavam lá de novo!), me olha e antes de me dar bom dia, me diz:
-Virou fregueis, é ? E deu uma gargalhadinha, com sorriso de hiena.
Cadela! Vagabunda! Feia! Velha! Vó! Miss Inferno!!!
Fiquei vermelho, olhei pro balcão e vi o Jair Lazarento e a Diaba!
Essa, meio que sorrindo, como quem diz:
– O Brocha voltou. Gostou da festa!!!
Filho das *****!!!
Nem vou contar o resto.
Mas sofri muito de novo!

Autor desconhecido

vi no Acidez Mental

**Naldo**

Uma resposta para O primeiro viagra a gente nunca esquece!

  1. Daniel Souto disse:

    hhahauahauhuahuahuhauahuahuhauhauhuahuauhahauu

    Miinha nossa!!!!! Mas até que o texto é bastante bem feito, esta história me deixou curioso tive que ler até o fim.

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